noventa e nove

03 fevereiro 2006

E três já são uma multidão?

Como seria de esperar, está tudo dito e bem neste post, da Constança Cunha e Sá, n'O Espectro.

Como já tive oportunidade de dizer, noutras esferas, estou plenamente de acordo que se dê permissão aos homossexuais para celebrarem um contrato. Um documento, assinado pelo casal, que salvaguarde os direitos do mesmo e que atribua, inclusivé, benefícios ao nível da saúde ou, até, fiscais. Mas, não dêem o nome de casamento. Assim, poupam quezílias. A palavra "casamento" carrega uma conotação religiosa. Pelo menos, a meu ver. É nesses termos que acho que o casamento, como a própria CCS escreveu, é um exclusivo dos heterossexuais e conservadores. É um costume que, de facto, já não carrega a obrigatoriedade de outrora, mas que, e aqui discordo da Constança Cunha e Sá, não está ainda "fora de moda e não é já uma prática em declínio que foi ultrapassada pelo tempo". É verdade que muitas pessoas optam por se juntar, muitas vezes movidas pela questão do dinheiro ou da falta dele. E é verdade, também, que o divórcio passou a ser, apenas, mais uma rescisão de contrato. Marca dos tempos. Mas, mesmo assim, o casamento está longe de ser ultrapassado por eles. Que o digam as quintas, os serviços de catering e os DJ's.

No entanto, a questão do casamento entre homossexuais não se fica por ela mesmo. E os polígamos? Uma dúvida perfeitamente legítima da CCS. Por que razão se haveria de permitir os casamentos entre duas pessoas do mesmo sexo e recusar o casamento a três pessoas que, também, se gostam? Com que fundamento? Afinal, é só uma prática que, também, não está prevista na nossa legislação.

VB

1 Comments:

  • O que é engraçado nesta discussão toda é ver o pessoal do Bloco a defender uma instituição profundamente conservadora como é o casamento, e por outro lado ver os da chamada "direita liberal" - que supostamente defende que o Estado deve intervir o mínimo possível na esfera privada - a aplaudir a decisão de não permitir o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo. Julgo também que trazer para a conversa a polígamia ou o incesto - como já vi num outro blogue - são tentativas de ridicularizar uma questão que não deve ser ridicularizada.
    Não faço muitos comentários, mas quando os faço gasto os caracteres todos.
    Abraço, Edgar

    By Blogger Edgar, at 5:58 da tarde  

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